01 junho 2025

vírgulas

vírgulas, viagens ao espaço, sabendo que entre duas linhas rectas, existe,

sempre existiu,

um menino nos seus calções, um menino que costura o vestido para o seu

também menino,

chapelhudo

 

uma árvore que tinha cãibras quase junto à noite, uma silaba quase recta, também como as duas linhas e também rectas, depois do pequeno-almoço

quase que me deitava sobre a sonolenta sombra de uma alegre mangueira, tão alegre

que dizia que me amava, sempre que me deitava e me beijava e depois,

no silêncio de uma lágrima,

a luz, desligava

 

vírgulas, viagens ao espaço, clarabóias invisíveis, e insufláveis

tocava-lhes nos seios

e ouvia um pequenino ruido, o volume diminuía e percebia que em pouco tempo

de seios nada restaria,

a não ser

os gelados depois do circo, no baleizão…

 

vírgulas que o chapelhudo transportava, vejam lá, vejam lá

junto ao peito, juntinho ao coração doirado de um cacho de bananas, a fátima dá-me um estalo

pronto não brinco mais contigo nem com o chapelhudo

e eu,

e eu novamente só, novamente a inventar vestidos para o meu chapelhudo,

 

entre vírgulas, dentro de duas linhas rectas, e lá dentro

o sorriso de uma criança.

 

(feliz dia para todas as crianças)

 

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