vírgulas, viagens ao
espaço, sabendo que entre duas linhas rectas, existe,
sempre existiu,
um menino nos seus
calções, um menino que costura o vestido para o seu
também menino,
chapelhudo
uma árvore que tinha
cãibras quase junto à noite, uma silaba quase recta, também como as duas linhas
e também rectas, depois do pequeno-almoço
quase que me deitava
sobre a sonolenta sombra de uma alegre mangueira, tão alegre
que dizia que me amava,
sempre que me deitava e me beijava e depois,
no silêncio de uma
lágrima,
a luz, desligava
vírgulas, viagens ao
espaço, clarabóias invisíveis, e insufláveis
tocava-lhes nos seios
e ouvia um pequenino
ruido, o volume diminuía e percebia que em pouco tempo
de seios nada restaria,
a não ser
os gelados depois do
circo, no baleizão…
vírgulas que o chapelhudo
transportava, vejam lá, vejam lá
junto ao peito, juntinho
ao coração doirado de um cacho de bananas, a fátima dá-me um estalo
pronto não brinco mais
contigo nem com o chapelhudo
e eu,
e eu novamente só,
novamente a inventar vestidos para o meu chapelhudo,
entre vírgulas, dentro de
duas linhas rectas, e lá dentro
o sorriso de uma criança.
(feliz dia para todas as
crianças)

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