10 junho 2025

alvorada

qualquer coisa inócuo que puxa o meu corpo para o vácuo

de quando em quando, oiço o tentáculo obscuro de uma mão entalada no silêncio de uma espada, quase espetada, quase nua

sobre a madrugada

 

qualquer coisa que se avizinha, que me deixa alegre, e me responde entre as paredes de uma vírgula

qualquer coisa sobre o delírio de uma bala, disparada por uma caneta, por uma simples flor à janela

 

e eu o que faço?

nada.

sento-me e escuto,

 

a alvorada.

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