Se a minha mão, ouvisse a
tua voz
Se a tua voz escrevesse
na minha mão, qualquer coisa, semeada
Uma palavra, uma vírgula
Ou até um final ponto
Depois o paragrafo
envergonhado, nos teus seios de pergaminho silêncio
Uma esmeralda que declama
AL Alberto
Um qualquer AL Berto, que
ouve na escuridão da noite
Um tal de Fontinha,
coitado dele, coitado (diria o senhor Álvaro de Campos)
Um tal de poeta também às
vezes de esmeralda, ou outras tantas vezes
O poema quase na oogâmica
bissectriz da tua vagina, há uma fogueira neste poema, há uma também outra
vírgula, e outro mosquito que sobrevoa a escuridão de um beijo
Um raboto que não sei
quem é, que nunca o vi, que apetece comer depois do almoço, depois da jangada
descer o rio
Oiço os gemidos de um gameta
desesperado por encontrar uma lâmina de sémen, ao fundo do corredor, quatro
janelas para o mar, o louco pergunta-me as horas, eu espero o carteiro, há
sobre uma mesa de pedra-pomes um casebre, uma porta de fechadura apertadinha
Que quando cai a noite,
Vai até ao mar
E desce da clareira
madrugada; deus.
O vinho quase água, a
água pertence agora ao medíocre sono da primeira lágrima da manhã, um cão late latinamente
sobre o fino escuro olhar da vírgula, o ponto final
Deus o que me quer,
pergunto à sombra, percorro cada sílaba deste corpo, quase em espuma
E este poema está a ficar
uma autêntica merda, mas há quem goste da minha merda, que se diga
Esta escrita vaginal,
cubica, ausente de um ponteiro que se erga da outra margem do rio,
Um barco em cio, o cio,
um fio adormecido no rio, e se o rio o quiser
Ele saberá qual é a primeira
janela aberta, depois da chuva ser também uma vírgula na serpente do meu corpo
A morte,
E quando morrer a vagina,
o que será da minha vida?
Do meu corpo.
(isto é ou não é, poesia? ou será uma merda como toda a gente acha covardemente)
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