05 junho 2025

os olhos do poeta

a pedra sombra de uma aldeia, o calor infernal de um grito, que grita

e que chateia

que procura em cada rua, a lua

que se senta, que se levanta

e que imagina círculos de luz

na primeira página do meu livro

 

nunca teve um nome este mestre sem nome, este pobre homem, que come

do nome sentir, erguer-se entre lâminas difusas na penumbra

de uma mão

 

dois, depois

a pedra que é o sol, é o pássaro inanimado, que desmaia

a cada pedra migalha, se uma espada vier

que o traga, e que leve daqui a caneta e todas as palavras

e que arda a aldeia, a cada rua e que cada candeia se apague

 

como se vão apagar os olhos do poeta

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