há quem escreva nas terras molhadas de áfrica, há quem escreva em papel, papel branco, papel higiénico, outro qualquer papel
em computador, na lua, no
sol
mas eu, eu quero escrever
no teu corpo, desenhar com a minha boca cada letrinha do alfabeto, cada
vírgula, cada ponto
cada desejo de cada verso
de todos as noites, a
claridade, a escuridão de um pássaro, de um pássaro faminto
destemido, até
há quem escreva na geada,
há quem escreva, sobre a tímida estrada
há quem escreva nas
vidraças, que depois é a chuva
quase relógio, dos teus
lábios
escrever no corpo,
desenhar cada letrinha…