21 junho 2025

É um disfarçado malmequer pincelado de encarnado desejo, é o poema que voa sobre o rio,

É beijo

E cio,

É o infinito inferno chão da chuva, é a sanzala inverno na metrópole engano,

É uma pedra, é o pano que embrulha a noite,

É o poeta enforcado num fio de esperma, o poeta,

Em fogo que chama e em chama,

A palavra perdida, que arde no silêncio do mundo, o rio de luz quando o livro é um círculo quase mel,

É um disfarçado malmequer pincelado de encarnado desejo,

E no entanto, nada.

Quatro peixes em fúria, e o dia, cansado da minha sombra.


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