21 junho 2025

é quase noite, meu amor

 

o vazio, na sombra de um embondeiro, quase chuva no silêncio do teu olhar

quase nada sempre que morre uma estrela

na mão de uma espada nos lábios do mar.

 

o vazio da palavra, uma criança desenha na sombra círculos de luz em cima de uma bicicleta, o suspiro de um silêncio

em busca da madrugada

oiço a tua voz semeada na maresia de um abraço

é quase noite, meu amor

e amanhã eu já não pertenço ao teu olhar.

 

os dias são apenas o grito da serpente

uma bala é disparada contra o meu peito

que já nada sente

a não ser o vento, no vento da neblina.

 

o vazio, o fogo canção que acorda da tempestade

ergue-se do teimoso rio o fascínio do sono

se a noite está só

só um pedaço de luz, só o luar de uma espingarda…



Sem comentários:

Enviar um comentário