a sebenta morre na mão de
quem a escreveu, a caneta que escreveu na sebenta, corre montanha acima, sem
saber se nos lábios de uma abelha, se na escuridão de uma portada, mal fechada,
na dita e escrita,
a palavra
regressa à noite, a
lâmina de fatiar o desejo
o que faço, quase ninguém
o quer fazer
e, no entanto, dizem que
é muito pouco
quase mágoa a escuridão
de uma flor que procura o mar, que se veste de barco
e também tal como a
abelha, nos lábios de uma abelha, a serpente
serpenteada, que sobe a
árvore e olha ao longe,
um rio de espuma e dois
seios ensanguentados de nuvem amanhecer
e a sebenta olha tudo
isto, e à sua volta, um poeta chora no silêncio de uma palhota, o capim é o
milagre depois de descer a alvorada, o cansaço de mais um dia, o silêncio que
se ouve a sete léguas de destino, e talvez já seja dia, e talvez seja sempre
dia
no coração da sebenta
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