02 junho 2025

desce, sem saber que descia

desce, sem saber que descia

a rua que às vezes também subia, que às vezes

que às vezes esta rua também sofria, às vezes, às vezes sorria, mas eram mais as vezes, de que as poucas, vezes

que sentia, no rosto sonolento,

a vergonha de uma lágrima

 

desce, sem saber que descia

sem saber que sofria, e que escutava, e que sonhava

ela também uma dia, um dia

não ser mais rua, rua que subia

mas ser apenas a calçada

e não ser mais lágrima

 

lágrima que também sofria, que também ela chorava

como a calçada

que um dia foi rua que subia, sem saber que descia

e que também às vezes ouvia

o sorriso da rua que subia

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