que da estrada se cansa,
do outro pequeno orifício confundido com o destino, quando acorda manhã cedo,
puxa por um cigarro, o destino adora peixes, um aquário menino
sentindo a maresia de uma
lágrima
a estrada, agora, é uma
espada
cravada no silêncio quase
chuva, na mão de uma menina
mimada
a estrada não se cansa,
mas está cansada
cansada da vida, cansada
de ser estrada,
na estrada
da vida
de não ser nada
de vida em vida, de
casaco em camisola de lã, olha pela janela
e todos os barcos do
oceano, e todas as âncoras do amanhecer
são agora pedaços de
fruta, palavras que foram escritas, e que agora estão em outro destino, também
ele, menino
a arder
que da estrada se cansa,
e encomenda o seu caixão, telefona para o luar, pede o seu último desejo,
passear na praia, sentar-se numa cadeira de vime, olhar o mar e fumar
até que seja noite
até que o mar deixe de
ser mar
e que a morte floresça, e
que na morte, ele finalmente adormeça
e que ele, e que ele
nunca esqueça
que a estrada está
cansada e é uma puta vestida de espátula
perdida
na estrada.