23 maio 2025

uma mão de esperma que sobejou do ontem pequeno-almoço

a navalha é uma mão de esperma que sobejou do ontem pequeno-almoço,

e cada migalha, de esperma, invade a seara, constrói sobre o mar,

caravelas, e tantas luzes, de tantas lágrimas,

e tantas as cruzes, tantos, tantos os valados milimetricamente, em silêncio,

que pertencem a um corpo, outros

que a ninguém pertence, são apenas valados, buracos em direcção ao centro da terra

 

porque a navalha, a navalha sente, sente o calor do pénis quando o cosmos é ainda uma pequena explosão, e de tantas partículas, e de tantas as palavras que são

que a navalha dispara a primeira bala, o primeiro café

porque a navalha será sempre, sempre será a navalha

 

uma mão de esperma que sobejou do ontem pequeno-almoço.

Sem comentários:

Enviar um comentário