a navalha é uma mão de esperma que sobejou do ontem pequeno-almoço,
e cada migalha, de
esperma, invade a seara, constrói sobre o mar,
caravelas, e tantas
luzes, de tantas lágrimas,
e tantas as cruzes,
tantos, tantos os valados milimetricamente, em silêncio,
que pertencem a um corpo,
outros
que a ninguém pertence,
são apenas valados, buracos em direcção ao centro da terra
porque a navalha, a
navalha sente, sente o calor do pénis quando o cosmos é ainda uma pequena
explosão, e de tantas partículas, e de tantas as palavras que são
que a navalha dispara a
primeira bala, o primeiro café
porque a navalha será
sempre, sempre será a navalha
uma mão de esperma que
sobejou do ontem pequeno-almoço.
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