24 maio 2025

um menino… filho do mar

da terra o semeado desejo, se ao rio dos teus seios, o destino, sempre que o beijo, e sempre

o eterno menino

da terra o semeado medo, no desejo

que a planície seja apenas uma janela, ou uma vírgula desgovernada, à procura de um ponto final

 

que a vergonha não existe, e que deus também se masturba, após o jantar, na terra, semeando o desejo, galgado o mar

no mar que não vejo, nem do cheiro sinto o orgasmo de um poema

e a voz rompe alardo adentro, e um fino fio de sémen, tão frio e tão fino

 

como o próprio desejo, como o próprio vento, como o próprio vinho, de a escrita, que ressuscita

e se ergue das entranhas de um rochedo

e tanto medo, e tanto orgasmo sentindo também

o frio desejo, dos estilhaços de um cortinado

 

que da terra o semeado, acorda também

o poeta, o ausentado destino de haver um rio nos teus seios

de haver um sonhar

de haver um menino

um menino… filho do mar

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