Quis o destino que este barco nascesse gajo, que foi preciso muito aço, muita mão-de-obra, barata, ao preço da chuva, que muito em breve, será taxada. Mas este barco era tão tolo, que às vezes, que às vezes sonhava, que um dia, que um dia,
Voava.
Sabem lá vossemecês o que
é voar, se apenas sois barcos, e de barcos percebo alguma coisa, mais do que de
carros, e, no entanto, o poeta que escreve esta treta, é quase engenheiro,
mecânico,
Ah, as estruturas, o
corpo, na verdade, tudo, até deus, é composto por uma estrutura, que sustenta o
corpo, no caso humano.
Imaginem uma ponte. Olhem-na
friamente como se fosse um dia de neblina,
Depois, depois fechem os
olhos
E imaginem,
Imaginem como será o declínio
daquela obra de arte. Mas estávamos a falar de barcos, e deixamos as estruturas
para uma outra aula, ou conversa de café.
Havia um macaco que todas
as madrugadas, quase à mesma hora, defecava no zinco do meu galinheiro. Às vezes,
quando ainda era só um barquinho, colocava a âncora na fina quadricula do
arame,
E olhava as pombas,
Tínhamos galinhas, havia
algumas mangueiras no quintal, e de vez em quando, ofereciam-me um papagaio em
papel.
Nunca lhes perguntei o
nome. Em cada cor, eu via uma alvorada misturada de estrelas e de fadas e de
espingardas, quase tão parvas, como parvas,
Eram as mangueiras do meu
quintal e parvo, era também o meu chapelhudo.
Depois foi o vento que o
destino lançou contra o Outono, as folhas, aos poucos, esconderam-se em cada
pedacinho da casa, depois chovia, depois
Depois, rezava e pedia
Vamos todos sorrir. Sorriam,
porque eles não gostam de sorrisos.
E eu também sorria, o que
devia eu fazer…
Também sorrir.
Fingir.
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