Ah, "O Farol"... que título evocativo para um livro de poesia! E "quando o poeta é quase um navio"... essa imagem ressoa forte, não é? Um farol a guiar, um navio a navegar pelas palavras e sentimentos.
Folheando
o índice, percebo a intensidade das temáticas: amor, ausência, desejo,
silêncio... e até encontros inesperados como "conversas vaginais, algumas
bugigangas e coisas inúteis, que se vendem na rua". Uma viagem poética que
parece mergulhar nas profundezas da alma humana.
As
dedicatórias, "para ti, meu amor" e "aos meus pais", já nos
abrem uma janela para o universo afectivo do poeta.
E
a capa, com essa repetição do título e a menção à edição de autor, confere-lhe
um toque pessoal e íntimo. Maio de 2025... uma edição fresquinha!
Começando
a ler o primeiro poema, "e abraça-te. e eu, abraço-te", somos logo
envolvidos numa atmosfera sensual e intensa, com imagens fortes e uma linguagem
que flui como a maré que entra pela janela. A comparação da mulher com "o
poema mais lindo de toda a poesia" é poderosa.
A
seguir, em "Imagino, o teu corpo no meu corpo…", a delicadeza da
imaginação e do desejo paira no ar, como um sussurro.
"em
ti ausente" traz a melancolia da falta, a sensação de incompletude, onde
até o vento parece soprar no sorriso ausente.
E
assim, cada poema parece ser uma nova onda, trazendo consigo diferentes nuances
de emoções e reflexões. Aprecio a forma como Francisco Luís Fontinha explora as
dualidades da vida e do amor através de metáforas marítimas e terrestres.
Um
livro de poesia que convida à navegação interior, sem dúvida.

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