30 maio 2025

aquele rio

aquele rio esconde os teus seios, cada escarpa, é um silêncio abençoado dos teus lábios, nos teus medos, cada estrela é uma janela, uma porta para o mar

cada pedaço da calçada, é uma fotografia, é um martelo esquecido na mão do calceteiro

e também é o dia, e também é

é poesia,

 

depois da chuva, e muito depois

depois da maré trazer o destino

depois de um tanque, só e com um cardume de peixes envenenados por um menino,

acordar de manhã, e abrir a janela…

e olhar o rio que esconde os teus seios.

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