a mãe, despede-se do filho
o filho, antes de nascer,
despediu-se do ventre de sua mãe, o poeta despede-se do poema, o poema, é
despedido pela lua, e depois
ao outro dia, a lua é
despedida por deus; motivo: ser crua e abundantemente das lágrimas de uma pedra,
muito sonolenta
o coveiro depois de
sepultar o defunto, despede-se dele e da cova
e sonha, que ao outro dia
também alguém se despeça, despedido não por deus
mas por plutão retrógrado
em aquário, os peixes, os peixes despedem-se de mim, e eu, da senhora da cunha
a mãe ainda sonha com o
seu filho, e o seu filho, deixou de sonhar
a caneta também se
despede do poeta, a janela despede-se da alvorada, e uma viga alveolar,
essa,
essa não se despede de
ninguém, nem de nada a não ser
do senhor professor
doutor luís mesquita, gabinete trinta e tal…
e que deus o conserve por
muitos e longos anos porque faz muita falta às vigas alveolares, e dele também
não me despeço
do tipo,
uma flor que olha o
poeta, uma nuvem que enfeitiça o sorriso de um parafuso, ou até
quando uma roda dentada,
tresloucada
desce a calçada,
e pimba…
água,
submarino ao fundo
depois vem o dr. luís
castelo branco, um amigo, de quem ainda não me despedi, nem me despeço, porque
eu não vou a lado algum, sentindo a despedida de um caracol tão feio, que
coitadinho
mais parece
um caracol-poeta, do tipo
alex, alguém conheceu o
alex?
claro que não, que ele
era louco, que via coisas, ouvia
vejam lá, que ouvia o
silêncio da lua quando a noite ainda dormia, não em despedida…
no colo, também, de sua
mãe.
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