29 maio 2025

a mãe, despede-se do filho

a mãe, despede-se do filho

o filho, antes de nascer, despediu-se do ventre de sua mãe, o poeta despede-se do poema, o poema, é despedido pela lua, e depois

ao outro dia, a lua é despedida por deus; motivo: ser crua e abundantemente das lágrimas de uma pedra, muito sonolenta

 

o coveiro depois de sepultar o defunto, despede-se dele e da cova

e sonha, que ao outro dia também alguém se despeça, despedido não por deus

mas por plutão retrógrado em aquário, os peixes, os peixes despedem-se de mim, e eu, da senhora da cunha

 

a mãe ainda sonha com o seu filho, e o seu filho, deixou de sonhar

a caneta também se despede do poeta, a janela despede-se da alvorada, e uma viga alveolar,

essa,

essa não se despede de ninguém, nem de nada a não ser

do senhor professor doutor luís mesquita, gabinete trinta e tal…

 

e que deus o conserve por muitos e longos anos porque faz muita falta às vigas alveolares, e dele também não me despeço

 

do tipo,

uma flor que olha o poeta, uma nuvem que enfeitiça o sorriso de um parafuso, ou até

quando uma roda dentada, tresloucada

desce a calçada,

e pimba…

água,

submarino ao fundo

 

depois vem o dr. luís castelo branco, um amigo, de quem ainda não me despedi, nem me despeço, porque eu não vou a lado algum, sentindo a despedida de um caracol tão feio, que coitadinho

mais parece

um caracol-poeta, do tipo

alex, alguém conheceu o alex?

claro que não, que ele era louco, que via coisas, ouvia

vejam lá, que ouvia o silêncio da lua quando a noite ainda dormia, não em despedida…

no colo, também, de sua mãe.

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