dizem que nasceu menino, que foi pequenino
que foi um pequenino grão de areia,
dizem que foi mar e que também foi, a seara que semeia no depois da alvorada,
dizem que foi madrugada, e depois
e depois que foi palavra
e cresceu, tanto cresceu este menino
que hoje é poema, e é poesia
depois,
depois o menino
quis ser a noite, e dizem que quis ser também,
estrela, e o dia, e
livro, na mão de uma fraga
dizem que nasceu menino, que foi traquina, que foi pássaro numa noite de canseira,
depois adormeceu, e depois
escreveu,
e depois na derradeira esperança, o menino
teve na mão uma pomba, e a pomba se fez bala,
e se fez manhã…
e hoje o menino parece uma candeia, ou uma pedra de brincar
que também quis ser o mar, e do mar menino
hoje,
hoje é apenas um menino, só
esquecido numa fotografia,
que o menino dançava, e dizem que o menino adorava
barcos, barcos que dizem que este menino,
é uma palavra, semeada, na seara…
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