havia uma lágrima na despedida do rio, era tão sentida, era tão sem jeito
era tão um corpo em cio, um corpo mal feito, em pedra
quase água,
no final da tarde, descia a montanha, e sentava-se junto ao parque infantil da aldeia
era tão pequenina, esta pobre lágrima, esta linda menina.
havia uma lágrima no olhar da gente, uma lágrima doente
e contente,
havia uma lágrima na face oculta da lua,
estava escuro, estava silêncio
nas mãos do rio, e nos cabelos do incenso
havia uma lágrima, tão fina e tão comestível
que um dia, um menino,
pegou com jeitinho, na lágrima, e semeou-a
nos seus sonhos…
e a lágrima cresceu, sentiu o frio do inverno, escondia-se num pequeno caderninho quadriculado, mas era tudo tão inferno
que ambos, lagrima em despedida e o menino
numa manhã de setembro partiram, ambos
e foi tudo tão lágrima, e foi tudo tão menino
que hoje as flores,
são apenas lápis de cor nas mãos de um sonho.
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