hei-de amar uma pedra, ser
flor,
hei-de voar sobre o mar, ver a primavera
no teu olhar. hei-de ser livro, carta, despedida
da madrugada.
hei-de ser espada, espingarda
de arremesso contra o silêncio de uma palavra,
hei-de ser montanha, lua, pedra, a amar
enquanto o rio é um pássaro sem memória.
hei-de ser história, cansaço depois da chuva, depois
da insónia…
hei-de ser uma nova criança, contar as estrelas, desenhar, na tua mão, a esperança,
hei-de ser poema, a janela de um círculo de luz
com olhos verdes, sentado junto ao rio…
hei-de ser o vento, a fome, o cio
de uma pomba sem nome,
de um desejo com frio. hei-de ser a canção e o alento da lua quase também ela, com fome, nua
hei-de ser a equação diferencial sem solução, serei roda dentada, parafuso novamente pedra, novamente um pedaço de aço,
hei-de ser a estrutura reticulada, metálica, a ponte que me levará até ao céu dos teus lábios…
hei-de ser a manhã, hei-de ser o meio-dia dos teus olhos.
hei-de ser o teu abraço, ser o infinito mais infinito do teu cabelo, hei-de ser soldado, árvore sem medo,
hei-de ser uma casa, alegre e feliz, e com muitas janelas e com poucas ou quase nunca:
lágrimas.
hei-de amar uma pedra, ser
flor,
hei-de acabar com a guerra…
e ser sempre amor!
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