18 abril 2025

Escuridão de um dia

De espingarda apontada, o poeta dispara as primeiras palavras do dia,

Entre um cigarro e um café, olha o sono que deixou sobre a mesa-de-cabeceira, escuta cuidadosamente a alvorada, sentida, que foi perdida,

E hoje,

E hoje foi achada.


E uma enxada que dói, e da mão que brota o sangue conseguido por dívida de meia-dúzia de pedrinhas-do-mar,

A fisga nunca soube que daquela mão, um dia, brotaria o mais leve desejo do universo, os ventos

Eram tantos, como tantas eram as pedras lançadas pela escuridão de um dia,


Que fosse apenas um desejo, que não fosse morte, tão pouco, má sorte

Ter nascido a um fatídico domingo de Janeiro.

Podia ter sido jardineiro, confesso que amo flores e flores vestidas de árvore, e de árvores,

Às vezes,

Às vezes vestidas de desejo, sabendo eu que tudo aquilo que é pertença do divino, amanhã será poema,

Ou um leito de medo, entre um corpo quase nuvem, e um outro corpo,

Quase água mineral.



(sótão, 18/04/2025


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