20 abril 2025

a tua voz, meu amor

oiço a tua voz quase silêncio, embargada na escuridão de um olhar, oiço também o poema, e sinto a tua mão invisível, quase em me tocar, quase

que se ausenta do meu corpo envenenado pelas palavras semeadas nos teus olhos de mar.

depois vem a noite, fria, minguante sofrimento, depois sinto o calor do teu corpo, e escrevo no teu corpo, e desenho nos teus lábios a primeira estrela da quase manhã, quase

que afronta o meu peito, e sente a distancia de uma janela…

oiço a tua voz quase silêncio, quase alegria sábia de um corredor tão fino e tão longínquo como é o teu cabelo que traz o vento, tão sorridente vem o vento, tão só está a tua mão sobre a mesa, e dos teus olhos, meu amor, sinto a alegria de uma criança

dançando sobre o rio, da tua voz quase noite, quase uma ardósia, fria e escura, suspensa numa parede sem nome, sem idade

de pertencer a este livro, de o ser, ser apenas a tua voz em silêncio, se a tua voz me tocar, se a tua voz, um dia, me pertencer. 


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