a dor se o poema o permite, se o desejo o tiver, na última madrugada do teu olhar,
se a flor desbrochar, se o beijo, da fúria manhã em acordar,
se do rio eu tiver, a pedra que incendeia a tarde,
se o livro for o mar,
e a minha mão, quem sabe
um dia,
o teu luar.
se este relógio de sono se erguer da espuma da insónia, depois da chuva, muito depois,
de ficar sem memória, sem bruma
deitado no chão travestido de néon, se ele pertencer ao poema, ele o escreveu, ele o desenhou
sobre a tua cama…
a dor; a dor de escrever o poema, e depois, muito depois, ser apenas,
o teu poema,
apenas ser, o teu poeta inventado por ti, apenas teu, apenas…
apenas por uma noite sentida.
a dor prometida, a dor
que sabe onde encontrar a mais ínfima partícula do universo, em sonho,
no verso quase escrito no teu seio, e agora
a dor pertence ao destino, a dor…
é o destino,
no poema,
do poema menino.
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