aqui, das ruas quase desertas, das poucas janelas, até agora, abertas, aqui, quando o mar é saudade, e quando uma criança procura, nesta cidade,
outra identidade,
uma outra cidade, que as escadas dão acesso ao céu, e aos floridos vasos colocados sobre o cobertor, quase gasto pelas subidas e descidas,
da despedida de um olhar.
ou da canseira de uma ferida. aqui, sentado sobre o perfume longínquo do silêncio teu cabelo, o deserto de uma lágrima, na boca cansada de um viajante, que corre
e que sente,
aqui, aqui tão longe o primeiro petroleiro da madrugada, aqui
outra casa, uma outra palavra.
aqui, uma jangada, o pão da manhã sobre o teus seios, sobre mim, quase manteiga, o sumo da tua voz, o sumo das pequenas gotículas da pele teu corpo, no poema meu orgasmo. aqui, me sinto, e me sento, sobre as pedras cinzentas do pensar,
entre o ser
e o voar,
prefiro amar-te, prefiro ser-te antes que a tarde se esconda no olhar de uma criança, ou na mão
de um pássaro em loiça tão cristalina como o vento
e tão pequena, como a chuva ou como
o desencanto.
que aqui me sinto, e que aqui me sento
dentro das páginas deste livro, de um momento, sabendo
que nem eu, e que nem o vento
somos gente de encanto,
fomos meninos traquinas, eu mais traquina do que o vento,
e, no entanto,
aqui, das ruas quase desertas, das poucas janelas, até agora, abertas, aqui, quando o mar é saudade, e quando uma criança procura, nesta cidade,
uma outra cidade…
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