30 março 2025

uma outra cidade…

aqui, das ruas quase desertas, das poucas janelas, até agora, abertas, aqui, quando o mar é saudade, e quando uma criança procura, nesta cidade,

outra identidade,

uma outra cidade, que as escadas dão acesso ao céu, e aos floridos vasos colocados sobre o cobertor, quase gasto pelas subidas e descidas,

da despedida de um olhar.


ou da canseira de uma ferida. aqui, sentado sobre o perfume longínquo do silêncio teu cabelo, o deserto de uma lágrima, na boca cansada de um viajante, que corre

e que sente,

aqui, aqui tão longe o primeiro petroleiro da madrugada, aqui

outra casa, uma outra palavra.


aqui, uma jangada, o pão da manhã sobre o teus seios, sobre mim, quase manteiga, o sumo da tua voz, o sumo das pequenas gotículas da pele teu corpo, no poema meu orgasmo. aqui, me sinto, e me sento, sobre as pedras cinzentas do pensar,

entre o ser

e o voar,

prefiro amar-te, prefiro ser-te antes que a tarde se esconda no olhar de uma criança, ou na mão

de um pássaro em loiça tão cristalina como o vento


e tão pequena, como a chuva ou como

o desencanto.

que aqui me sinto, e que aqui me sento

dentro das páginas deste livro, de um momento, sabendo

que nem eu, e que nem o vento

somos gente de encanto,

fomos meninos traquinas, eu mais traquina do que o vento,

e, no entanto,

aqui, das ruas quase desertas, das poucas janelas, até agora, abertas, aqui, quando o mar é saudade, e quando uma criança procura, nesta cidade,


uma outra cidade…


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