O gato já tinha nome, quanto a mim, atribuíram-me um número complexo, e a tua voz quase espuma, em floridos minutos de um relógio quase morto,
Sobre o chão da sanzala onde havia uma fotografia que me recordava a primavera dos teus olhos,
Ontem uma pedra era lançada contra a madrugada, eu
Às vezes, também apedrejado, também ausente o perfume dos teus lábios, de pouca chuva,
Sentindo o peso das lágrimas, com que o gato adorava brincar.
Era mar, aquela janela que todos os dias atravessava o sorriso da tua quase pele, depois
Havia um pássaro, havia uma palavra que durante a noite,
Era também uma lanterna,
Esquelética como o sono.
O gato já tinha nome, quanto a mim, os outros são quase duas luas horas,
Na boca do destino.
O meu pobre menino. Lá estava ele sentado na sombra de uma espingarda, quase sémen palavra de sofrer, se era a dor
Ou se era apenas a ausência em escrever,
Em semear o fogo na despedida de uma casa, havia um cágado, havia dois cães simpáticos, havia três peixes, havia um canário que tanto dançava e cantava,
Que confesso,
Hoje não o faria.
Hoje me condenava.
Tanta coisa que havia, naquela casa...
E havia flores, e havia a minha mãe, e havia o meu pai,
E hoje, apenas os livros os há.
Apenas o gato tem nome, quanto a mim,
Sou o que dizem, eu o ser
Que dizem que o sou; poeta.
Poeta. Sonhador, tantos são os meus sonhos, como tantas são as saudades da minha mãe, e o gato
Quase, que já tem um nome, que é negro
Que entrava pela janela e cagava na minha cama, depois
Também morreu, como o cágado e todos os outros,
E hoje,
São apenas fotografias de uma noite escura.
Tão escura como a solidão de um olhar!
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