imagino um pedaço de silêncio adornando o teu corpo, também ele, em puro
silêncio. imagino o teu corpo mergulhado no meu corpo, depois
somos apenas um corpo, somos apenas
um novo amanhecer.
depois somos o poema, e somos a seara que só a noite sabe onde habita, imagino um pedaço de silêncio, dentro do teu corpo, imagino a minha boca, em busca sonolenta
pelos teus seios de menina louca.
imagino a lua sentindo a lua do teu cabelo, quase vento
depois da chuva,
quase trigo na mão de uma nova primavera.
imagino o teu corpo vestido de sol, quase manhã quase insónia, quase
imaginar,
o teu corpo em minha mão…