se da chuva quase tua voz quase espuma na mão da madrugada, se da chuva a fotografia prateada que rompe o silêncio de uma espingarda, se da chuva quase também palavra, quase ou nada,
também a primavera acordada,
da chuva, a espada
cravada na primeira lágrima da manhã, também ausente também gente e que a sonolência transformou em fogo.
se da chuva o corpo é um círculo quase mel quase, também uma pedra lançada contra a lua, da chuva o dia suspenso nos teus lábios, nos teus olhos de chuva, todas as estrelas acordadas.
se da chuva quase a tua mão poema, a noite não tem nome nem o vento sentindo o peso do poeta, saberá dizer
se da chuva quase tua voz quase espuma na mão da madrugada, é ou não é
uma outra chuva sonhada.
se da chuva o teu corpo se esconder, na chuva a minha mão o procurará sentindo o peso da lua, mas a lua é uma delícia estrelar quase silêncio que apenas os teus seios conseguem ler, se da chuva
outra palavra poisar no teu olhar para a minha sombra, se da chuva acordar o mar,
da chuva o corpo teu corpo que quase é delírio, que quase é castigo ou martírio, à chuva
o teu corpo pertencer.
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