25 março 2025

se da chuva quase tua voz quase espuma na mão da madrugada

se da chuva quase tua voz quase espuma na mão da madrugada, se da chuva a fotografia prateada que rompe o silêncio de uma espingarda, se da chuva quase também palavra, quase ou nada, 

também a primavera acordada, 

da chuva, a espada 

cravada na primeira lágrima da manhã, também ausente também gente e que a sonolência transformou em fogo. 


se da chuva o corpo é um círculo quase mel quase, também uma pedra lançada contra a lua, da chuva o dia suspenso nos teus lábios, nos teus olhos de chuva, todas as estrelas acordadas. 

se da chuva quase a tua mão poema, a noite não tem nome nem o vento sentindo o peso do poeta, saberá dizer 

se da chuva quase tua voz quase espuma na mão da madrugada, é ou não é 

uma outra chuva sonhada. 


se da chuva o teu corpo se esconder, na chuva a minha mão o procurará sentindo o peso da lua, mas a lua é uma delícia estrelar quase silêncio que apenas os teus seios conseguem ler, se da chuva 

outra palavra poisar no teu olhar para a minha sombra, se da chuva acordar o mar, 

da chuva o corpo teu corpo que quase é delírio, que quase é castigo ou martírio, à chuva 

o teu corpo pertencer.


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