28 março 2025

o teu doce olhar

o dia todo dentro da chuva não comestível ou lido em qualquer almanaque poético, ou sentido 

se o verso se esconde no teu seio acordar 

depois de um olhar, depois do verbo deixar sobre as pedrinhas junto ao mar, as palavras que escrevo, as flores que pinto no teu quase cabelo que a sonolência transformou em fogo. 


o dia dentro da chuva, me sento de corpo quase água, quando o livro é cansaço, e uma janela se abre para a luz de uma espingarda que dispara estrelas horas no inferno chão da sanzala, 


o relógio de parede, morto, tantas horas nas horas, que hoje 

é apenas um pássaro à espera das horas. 

o dia todo dentro da chuva se a invisível manhã quase nada, ou 

quase tudo na palma da mão. o vento balança o dia no teu cabelo também vento, poesia 

na argamassa de um desejo, outrora beijo, caminho que me levava ao rio moinho que dançava, 

e hoje, 

também ausente também sentado, e também sonhador se a estrela for gente, que quase mentia, e hoje sentindo 

o depois da chuva, o depois do vento; o teu doce olhar. 


o dia todo dentro da chuva, e depois a noite traz a luz dos teus lábios condensados na maresia de um outro olhar, e talvez 

seja depois da chuva o recomeçar sol poema que voa sobre a manhã, também quase água, se o fogo silêncio da tua voz, 

o deixar. 

quando o dia todo da chuva não comestível ou lido em qualquer almanaque poético, ou 

sentindo 

a primavera do teu corpo quase também uma fotografia no espelho de um olhar...


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