18 março 2025

o teu corpo é um círculo quase mel

o teu corpo é um círculo quase mel na colmeia de luz que acorda em cada lugar, amanhecer quase que no teu olhar se a água é um disfarçado malmequer pincelado de encarnado desejo.

o teu corpo é uma vírgula na mão de um poema, é uma pedra na estrada depois das lágrimas, é o teu corpo

a árvore silêncio do sol, a palavra manhã quase janela para o rio, e,

e depois a luz que está quase também uma fotografia, do teu corpo

descendo às primaveras alvoradas que apenas os ponteiros de um velho relógio conseguem desenhar no arvoredo teu cabelo.

o teu corpo é um círculo quase mel, é o luar que está quase pronto para ser incinerado na mão de um lado dos quatro cantos da chuva.

o teu corpo é um rio de luz sobre a minha mão no esconderijo teu toque quando o meu corpo quase transparente se esconde também no teu transparente corpo, e eu fico tão criança no silêncio dos teus braços.

o teu corpo é um círculo quase mel, e

depois de quase uma abelha desenhar nos teus lábios...

o primeiro olhar do nosso acordar.


Sem comentários:

Enviar um comentário