15 março 2025

no teu corpo a geada manhã

se depois do silêncio eu vou semeando no teu corpo a geada manhã de uma hora patética no inferno chão de um desejo, não 

e talvez seja preciso um número complexo para distribuir no teu olhar o meu corpo quase também palavra, quase também uma fotografia no espelho da chuva. 


que o rio está quase cheio de luz, que esta luz é uma pedra lançada contra o vento, e se depois do silêncio o teu cabelo vestir-se de manhã quase janela, é apenas porque o poço está quase pronto para ser incinerado na mão do poeta. escrevo, 

sonho com o olhar da desconhecida cinzenta tempestade que não é mais a tempestade, mas um orgasmo que nasce no teu sorriso e, 

amanhã, depois das lágrimas, o sol poema voa sobre o mar dos teus seios. 


talvez seja o rio um abraço amigo que não vai nascer nas pálpebras do dia, e 

quase sentado no inferno, o poeta hoje saboreia a noite e o dia e a tarde e a tua mão na minha sombra, e talvez o rio esteja também ele, 

refém da chuva... 


se depois do silêncio eu vou semeando no teu corpo a geada manhã de, 

uma língua de fogo na boca do sol. se depois do silêncio eu vou encontrar a lua de mel no teu coração, e é pássaro quase água e é também pássaro quase mar, mas 

também ausente do poeta a caneta e a lágrima que hoje pertencem ao menos destino da terra... 


e escrevo na maré do teu ventre amor o que significa para o rio correr para o mar, 

depois da chuva, 

sempre acordará a palavra na mão do poema.


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