havia um pássaro em tua mão roseira amanhecer, e poisava o vento doce luar na outra janela, em outro mar
do destino que havia um barco, que houve em tempos, há muito tempo, um menino
depois de o rio e depois de a chuva,
ser charco
depois da maré trazer outro pássaro, se o mesmo menino, hoje também uma árvore, se da noite acordar o poema, depois do vento, depois de uma pedra lapidada, ser lançada
contra a palavra.
havia um pássaro, doce
o mel em teus lábios emagrecidos, em teus olhos, escondidos
havia a pedra também bago também espiga de milho, na terra trabalhada, a charrua amiga,
o beijo
prometido.
o ausentado, o amigo.
havia um pássaro em tua mão roseira amanhecer,
se teus olhos estrelas o são, e terão milhões de palavras, outras madrugadas
trazer cá o vento, e dizer ao vento tudo, tudo aquilo o que o vento precisa de ouvir,
de sentir, também outro vento, depois do portão de entrada ser derrubado, por aquele que foi menino,
depois,
foi soldado…
e hoje, e hoje é um poeta falhado.
havia um pássaro em tua mão, em tua mão desenhada no silêncio de um olhar, em tua mão cansada, tão cansada
de me tocar.
havia um pássaro e em tua mão um outro mar, havia nos pingos da chuva pequeninas gotinhas de alegria, alguns gramas, muito poucos, de poesia
de histórias, e de momentos
tão loucos, que foram loucos.
todos aqueles tristes ventos.
havia um pássaro em tua mão roseira amanhecer…
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