Até os pássaros morrem, e mesmo assim, a primavera é cíclica, e
As flores nascem e morrem, também
Os pássaros morrem aos milhões, e
Quase novamente primavera
A chuva às vezes, nasce e morre também
E anda por aí, e por outros lados
Também,
Nascer,
Morrer,
Um ciclo, a cada incógnita de tempo
Morre uma chuva, logo e logo
Outra chuva nasce, e brinca também
Nas cinzas da chuva anterior
Isto é a vida
A lareira nasce, e logo morre
O silêncio enquanto é o silêncio, depois morre também
E torna-se o caos e a confusão
Depois, depois temos o problema do efeito borboleta
E da teoria do caos,
Depois, a minha morte
Não tenho medo de morrer, mas tenho muito medo
De quando eu morrer,
Me disserem,
Olha, toda a merda em que acreditaste em toda a tua vida,
Foi,
Uma mentira.
Como assim, pergunto eu.
Que deus existe. Que há qualquer coisa para lá da
Morte?
Isso. Da morte.
Que desilusão a minha. Que mentira.
Voltando à minha morte, em primeiro
Todos os meus bens materiais e imateriais à data dos factos,
São pertença do partido comunista português.
Divididos os bens, passamos então para as ditas cerimónias fúnebres;
Não há.
Como não há pá?
Não quero.
Não queres?
Não. então?
Directamente para o crematório, quero ser cromado, perdão
Cremado,
E as minhas cinzas,
Semeadas no silêncio de um pedra.
Só isso?
Só.
Só isso.
Que mais querias tu?
Que eu me vestisse de palhaço?
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