16 fevereiro 2025

Que eu me vestisse de palhaço?

Até os pássaros morrem, e mesmo assim, a primavera é cíclica, e 

As flores nascem e morrem, também

Os pássaros morrem aos milhões, e

Quase novamente primavera


A chuva às vezes, nasce e morre também

E anda por aí, e por outros lados

Também,

Nascer,

Morrer,

Um ciclo, a cada incógnita de tempo


Morre uma chuva, logo e logo

Outra chuva nasce, e brinca também

Nas cinzas da chuva anterior

Isto é a vida


A lareira nasce, e logo morre

O silêncio enquanto é o silêncio, depois morre também

E torna-se o caos e a confusão

Depois, depois temos o problema do efeito borboleta

E da teoria do caos,


Depois, a minha morte

Não tenho medo de morrer, mas tenho muito medo

De quando eu morrer,

Me disserem,

Olha, toda a merda em que acreditaste em toda a tua vida,

Foi,

Uma mentira.

Como assim, pergunto eu.

Que deus existe. Que há qualquer coisa para lá da

Morte?

Isso. Da morte.

Que desilusão a minha. Que mentira.


Voltando à minha morte, em primeiro

Todos os meus bens materiais e imateriais à data dos factos,

São pertença do partido comunista português.

Divididos os bens, passamos então para as ditas cerimónias fúnebres;

Não há.

Como não há pá?

Não quero.

Não queres?

Não. então?

Directamente para o crematório, quero ser cromado, perdão

Cremado,

E as minhas cinzas,

Semeadas no silêncio de um pedra.


Só isso?


Só.

Só isso.


Que mais querias tu?


Que eu me vestisse de palhaço?


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