09 fevereiro 2025

Havia um rio na minha infância. Havia uma criança, na minha infância,

Havia um rio na minha infância. Havia uma criança, na minha infância,

Nunca houve uma lágrima, na minha infância, e deste rio, da minha infância, um rio em papel, colorido, procurando o mar

Poisando depois, na minha mão, hoje


Um dia, uma menina da minha infância, pediu-me que lhe desenhasse a lua, no cabelo da minha infância; fique aflito, com medo, eu não sabia desenhar

Tão pouco,

No cabelo da menina da minha infância.

Pensava. Procurava em mim mil maneiras de como lhe desenhar a lua

- e se eu te oferecer a lua

Ela que não, que tinha de ser desenhada, no cabelo da minha infância. 

E eu pensava, pensava…

Receando fazer mal ao cabelo da menina da minha infância, e com a minha mão entre o trémula e a solidão de uma mangueira, comecei a desenhar sorrisos de luz e pequenos círculos de néon salgado, ela

Feliz, porque quase noite

E a lua no cabelo da menina da minha infância.


Depois, a mãe da minha infância dava-me um beijo na testa, afagava o cabelo da minha infância, apagava o candeeiro da minha infância

E eu,

Adormecia. Sonhava.

Sonhava que um dia, o rio da minha infância e a criança da minha infância e a menina da minha infância,

Fossem sempre, o rio da minha infância e a criança da minha infância e a menina da minha infância.

Hoje são as fotografias da minha infância, os sonhos que eu sonhava,

Nas noites da minha infância.


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