Havia um rio na minha infância. Havia uma criança, na minha infância,
Nunca houve uma lágrima, na minha infância, e deste rio, da minha infância, um rio em papel, colorido, procurando o mar
Poisando depois, na minha mão, hoje
Um dia, uma menina da minha infância, pediu-me que lhe desenhasse a lua, no cabelo da minha infância; fique aflito, com medo, eu não sabia desenhar
Tão pouco,
No cabelo da menina da minha infância.
Pensava. Procurava em mim mil maneiras de como lhe desenhar a lua
- e se eu te oferecer a lua
Ela que não, que tinha de ser desenhada, no cabelo da minha infância.
E eu pensava, pensava…
Receando fazer mal ao cabelo da menina da minha infância, e com a minha mão entre o trémula e a solidão de uma mangueira, comecei a desenhar sorrisos de luz e pequenos círculos de néon salgado, ela
Feliz, porque quase noite
E a lua no cabelo da menina da minha infância.
Depois, a mãe da minha infância dava-me um beijo na testa, afagava o cabelo da minha infância, apagava o candeeiro da minha infância
E eu,
Adormecia. Sonhava.
Sonhava que um dia, o rio da minha infância e a criança da minha infância e a menina da minha infância,
Fossem sempre, o rio da minha infância e a criança da minha infância e a menina da minha infância.
Hoje são as fotografias da minha infância, os sonhos que eu sonhava,
Nas noites da minha infância.
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