07 fevereiro 2025

Deus masturba-a todas as noites, acredita ela

(não querendo ofender ou magoar alguém)



Deus masturba-a todas as noites, acredita ela

E também acredita ele, enquanto se mira no espelho da terceira sílaba

Direito

Em Lisboa, que é o pai natal

Cristo que não se responsabiliza pelas doidices do pai

Isto

Deus

Deus que sabe de tudo e de todos, até mesmo quando eu me escondi dentro de um cubo de silêncio

Dormia, e escrevia

E olhava-a,

Enquanto ela se masturbava; isto

Acreditava ela, ser Deus


Imagino as mãos de Deus, doces, macias, invisíveis

Quando ele o quiser

Imagino o vento galgando a alegria de uma criança, e Deus em vez de estar a masturbar esta mulher

Deveria estar a tomar conta,

De todas as crianças


Ela vem-se, Deus sorri

E Cristo,

Entre conversas teológicas com meia dúzia de pardais

No espelho,

Um orgasmo de luz, visível, doce também

Como as mãos de Deus

Um uivo à janela do quarto andar,

Ela

Onde está ela, que geme, e grita


Uma espingarda, dispara

Um cavalo galopa e vai de encontro ao móvel da sala, cai

Uma espiga de trigo acorda em Carvalhais,

O sino toca,

Desce as escadas, senta-se junto ao rio

São quase 22:00 horas, o primeiro petroleiro da noite, regressa

Há nuvens, há orgias de nuvens

Depois da lua pertencer à quarto janela,

Uma espiga


Onde está ela, que geme, e grita

E que diz ao dia quando deve ou não

Ser

Noite


Ou ser Deus


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