(não querendo ofender ou magoar alguém)
Deus masturba-a todas as noites, acredita ela
E também acredita ele, enquanto se mira no espelho da terceira sílaba
Direito
Em Lisboa, que é o pai natal
Cristo que não se responsabiliza pelas doidices do pai
Isto
Deus
Deus que sabe de tudo e de todos, até mesmo quando eu me escondi dentro de um cubo de silêncio
Dormia, e escrevia
E olhava-a,
Enquanto ela se masturbava; isto
Acreditava ela, ser Deus
Imagino as mãos de Deus, doces, macias, invisíveis
Quando ele o quiser
Imagino o vento galgando a alegria de uma criança, e Deus em vez de estar a masturbar esta mulher
Deveria estar a tomar conta,
De todas as crianças
Ela vem-se, Deus sorri
E Cristo,
Entre conversas teológicas com meia dúzia de pardais
No espelho,
Um orgasmo de luz, visível, doce também
Como as mãos de Deus
Um uivo à janela do quarto andar,
Ela
Onde está ela, que geme, e grita
Uma espingarda, dispara
Um cavalo galopa e vai de encontro ao móvel da sala, cai
Uma espiga de trigo acorda em Carvalhais,
O sino toca,
Desce as escadas, senta-se junto ao rio
São quase 22:00 horas, o primeiro petroleiro da noite, regressa
Há nuvens, há orgias de nuvens
Depois da lua pertencer à quarto janela,
Uma espiga
Onde está ela, que geme, e grita
E que diz ao dia quando deve ou não
Ser
Noite
Ou ser Deus
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