Porque escrevo se o capim do meu coração quase uma sombra no musseque silêncio,
se o capim esconde os mabecos da trindade madrugada quase bala quase toda molhada na algibeira da chuva.
Porque escrevo então?
Se o capim do meu coração quase também palavra ou espingarda tracejada veia que eu serei sempre aquele que escreve, porque escrevo então se eu sou filho da sanzala e da terra queimada, o silêncio perfume após a chuva, e se água adormecer levantar-me-ei de manhã quase janela para o mar...
Porque escrevo então se já devia ter desistido?
Se o capim no recreio da escola inventa o cacimbo na mão do poeta, menino sempre triste e sempre ausente no zinco telhado de vidro para cabelos pretos e eu quase que sou um abraço no inferno.
Porque escrevo?

Sem comentários:
Enviar um comentário