Havia um relógio que coxeava nas horas nocturnas da chuva,
havia uma mentira também,
e também havia uma borboleta e também havia
uma cidade concha e havia um sítio secreto, no meu peito, onde em todos os pássaros finais de tarde brincavam crianças.
Havia uma estátua de espuma e havia
também
um menino com um papagaio na mão,
havia também,
também havia um sonho,
e também havia um enforcado.
Havia um drogado e havia também uma mulher descalça,
havia jesus e hoje apenas uma coisa árvore no cimo da montanha.
Havia um mar que afinal
nunca passou de um pequeno charutinho, havia um poeta que tem um sonho,
sentar-se numa cadeira em frente á baía de luanda, fumar um grama de heroína, fechar os olhos...
e ficar lá, só.
Só porque havia também uma carta de despedida, de pai para o filho,
deste que muito te ama,
e que nunca te esquece e
talvez houvesse também um homem, mas já não me recordo da tela onde estou a trabalhar.
Havia um circo. uma trapezista loucamente apaixonada pelos meus poemas, porque por mim bem por ninguém o foi.
E se o foi, paciência, peço desculpa.
havia uma hora que hoje é apenas um pequeno rio de nylon entre parede e pedras,
e também havia um cadáver; o meu.
O poeta, em lágrimas, o pequeno charutinho, descalço, a desmaiar o capim em redor da sanzala. A mulher quase que morria também havia um figo e uma maçã e uma laranja, esta, divorciada.
Havia um livro que se vestia de tigre e um tigre que comia pétalas de luz.
Havia uma janela que estava com os olhos vermelhos, também,
também ausente havia a governanta, o motorista e o jardineiro, e havia um relógio que coxeava nas horas nocturnas da chuva, também mentira havia um pedaço de vidro que não tinha paciência para fazer versos, tal como eu.
E um jogo parvo que eu odeio, e se o pudesse assassinar, assassinava-o...
E havia uma serpente que fumava haxixe e cuspia pedra-pomes.
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