11 dezembro 2024

O teu corpo que toco

O teu corpo que toco e da suavidade dos meus dedos em ti escrevo de ti 

bebo cada gota do teu suor desejo 

a tua pele quase espuma na minha boca 

na minha boca quase primavera 


As flores do teu seio nos lábios meus olhos que são silêncios de mel no teu ombro que beijo 

beijo-os (seios) como se fossem o areal do mussulo eu menino toco no teu púbis humedecido pela lágrima da noite 

preciso urgentemente de entrar no teu corpo cascata de água que eu vou fotografar com a minha sombra 


E eu entro e eu toco com ele quase todo o universo mendigo sobre a secretária em êxtase madrugada 

sobre nós o tecto do sótão onde me escondo 

e não me escondo de ti e escondo-me dos fantasmas que noite após noite 

dentro do meu peito 

e eu toco em ti 


Eu aflito quase a desaparecer no capim e tu colocas-me a mão sobre o meu peito 

- Calma tu vais conseguir 

E eu fico calmo tão calmo como calmo é o poema do teu olhar 

e eu toco em ti e oiço um néon gemido suspenso no teu último beijo da noite 


Amo-te.


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