08 dezembro 2024

Do teu cabelo

Do teu cabelo deixar arder as árvores que não têm corpo nem alma, 

se a água é a solidão do meu coração, quase que uma gotinha de poesia no chão e deitar-me e olhar para os teus olhos que se escondem no arvoredo. 


O pano branco que tapa o corpo da tua pele quase espuma quase pássaro, 

depois de uma sílaba de luz poisar na timidez do dia. 

E do teu cabelo deixar arder as árvores que não têm corpo nem alma e que quase bruma a lua brinca na tua frágil mão de veludo desejo. 


O teu cabelo parece pequenos finos fios de luz que se entrelaçam na esmeralda da quase tarde na doce mãe padroeira que o frio abraça em seus braços o amor eterno. 


E eu toco com o olhar o teu cabelo se ele deixar arder as árvores que não têm corpo, 


até que uma pequena rua nua na escuridão do sol se ausenta do meu cigarro e percebo que não tenho jeito nenhum para fazer versos. 


Do teu cabelo, amar-te!


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