11 dezembro 2024

(2+2=4)... Pedras

Também ausentes os meus olhos que agora são duas pedras, as árvores que estão no inferno, das minhas mãos as nuvens lágrimas do vento, 

Na minha boca a sombra de uma janela, e tão pouco me resta, e tão feliz por isso estou. 


Voar é apenas um estado físico da matéria, ser líquido, ser gás ou solidão 

Tanto faz, e faz parte da vida quase noite quase vida sem 

Vida. 


Também outra morada numa outra pessoa, de uma outra sílaba casa numa sanzala muito antiga, também 

Ausentes as labaredas desta fogueira se uma borboleta o permitir e o quiser. 


E morrer é também um estado físico, somos figueira que desce o socalco e bebe no rio o fio poema de nylon que está quase a ser, 

Mas ser o quê? 

O que sobrou e querem que eu seja quando nasci para não ser, sendo 

Uma estrela de um livro nas palavras do meu cigarro, o fumo escreve na saliva do desconhecido um relógio no pulso de uma árvore. 


E então eu serei. Ser o que sempre quis ser, talvez também, 

Nada. Então serei um pedaço de sémen nas cochas de uma pedra antes do pôr do sol ejacular a última lágrima da chuva... 


Também ausentes os meus olhos que agora são quatro pedras; duas em cima mais duas em baixo quatro pedras (2+2=4)... Pedras. 


E então eu serei.


Sem comentários:

Enviar um comentário