Tudo era mais fácil se o sol fosse um cubo
Se um cubo
Em vez de ser cubo
Não fosse o sol
Mas uma flor em papel.
Tudo era mais fácil, mais lento, mais rápido, depende do veneno,
Tudo era mais fácil
Neste sonolento engano
Quando a sombra se esconde num cortinado
Em pano
Um farrapo que serve para tudo, menos ser cubo,
Menos ser o sol,
Muito menos, ser gente.
No entanto
O cubo lá anda, de solstício em solstício
De janela em janela
Ou nas pernas de uma donzela.
Tudo era mais fácil se eu fosse um perfeito analfabeto, ou até, quem sabe
O ramo
De uma árvore. Mesmo assim havia
E há
Quem me mandasse para a fogueira.
Ou pior
Servir de brasa
Às partes baixas
De uma velhinha. Tudo havia
Logo após a despedida, um cacilheiro, amedrontado, abalroou um pobre soldado; eu.
Eu que me despedia, ela, ela que se despedia do rio e de mim,
Mas nunca mais ver,
E o soldado, o soldado…
Escrevia versos num caderninho.
O vento era tão salgado, e o mar dos teus cabelos, era quase tudo, na perfeição do destino,
Porque cada âncora é apenas uma luz,
Com escadas para o fundo do mar.
Tudo era mais fácil se eu não escrevesse estas merdas, tudo era mais fácil
Se me sentasse em frente à televisão
A assistir a grandes futilidades, tudo era mais fácil,
Tudo era mais fácil se em vez de descer pelas escadas,
Saltasse pela janela,
Apenas para fugir ao marido corno,
Como fez o outro, num fim de tarde,
Junto ao Verão.
Tudo era, mais fácil!
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