10 novembro 2024

Sonho

Ele deixou de estar, e quando percebeu

Já não pertencia e talvez nunca tivesse pertencido, e talvez tivesse pertencido,

Um pouquinho

Mas desistiu. Depois

Deixou de sonhar, escondeu-se dentro de um rochedo disfarçado de sono

E dormia,

Fingindo que sonhava,

Fingindo

Que dormia.


E um dia

Acordou acorrentado a um fio de sombra, havia também uma imagem na parede de uma lágrima, e um dia

Trouxeram-lhe uma palavra

Dentro de um pedaço de pão.

Comeu a palavra

E lançou o pão

Ao chão.

Depois

Morreu,

Sabendo que nunca pertenceu,

Que nunca pertencerá; fingindo que pertence.


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