28 novembro 2024

Se não me pertence porque espero que morra a noite

Se não me pertence porque espero que morra a noite e o pão, talvez seja do tempo, do infinito, do vento

que embarga o pensamento, a lágrima

na parede de um corpo ausente

e inventa a palavra do triste livro se o silêncio tão mente

tão espaçado no purgatório.


Troco o corpo, mil beijos escondidos no rio do sítio milagre que o peso da luz

deixa ficar sobre o orvalho.

Sou quase nuvem


nuvem de farrapo envenenado na ausência que eleva até à meia-noite a minha mão contra a janela. Era tão lindo o mar…

A mulher prisioneira de uma sombra e que dança sobre a mesa,

e que escreve o primeiro desejo

na razão se caminha descendo a montanha,

se voa, subindo até à lua,


se triste quando está nua.

O verbo agora uma migalha de dor capaz de voar

na maré cinzenta que me atormenta, e me mata

com a espada e ferindo-me a mão…

A escrita é só um sonho misturado na frase de uma distância anunciada,

o longe me quer, me quer

Tanto como a tristeza e a palavra.


Quase dia quase dia

Quase pesadelo uma criança pedindo um beijo ao jardim flor, se dor

dói depois da esquina onde se escondeu, hoje

hoje apenas um pedaço de nada, de tudo

de tudo quando a luz só me serve para fechar os olhos…

E dormir profundamente até ser uma canção.


(Se não me pertence porque espero que morra a noite e o pão, talvez seja do tempo, do infinito, do vento

que embarga o pensamento, a lágrima

na parede de um corpo ausente


no meu corpo que já nada sente!)


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