São tantas as estrelas
Que ardem na lareira dos teus olhos
São tantos os silêncios dos teus lábios
Quando me olham
E
Sonham em ser um pedacinho de mar
São tantas as ondas dos teus cabelos
Que apenas o vento
Sabe poisar,
Meu amor.
São tantas as cartas que escrevo
Que até já as palavras me odeiam
Como tu me odeias
Como quase todos
Me odeiam
São tantas as ervas do meu jardim
E são tantas as flores
Das flores tuas mãos
São tantos os sorrisos
Do teu sorriso,
Meu amor.
São tantas as noites da tua noite
Quando a minha noite é um inferno
São tantos os pássaros na cidade onde nasci
São tantos os cortinados
Na cidade onde vivo
Na cidade onde morro aos bocadinhos
Tantos meu amor,
Tantos trapos
E farrapos e janelas sem dobradiças
São tão poucas as hipóteses de eu ir a Marte
E oferecer-te a lua
São todas as flores
Do teu corpo
Que são tão poucas
As flores do teu corpo
São tantas as portas que nos deixam entrar
E que depois não nos deixam sair,
Meu amor.
São tantas as palavras do meu diário secreto
Porque não é secreto
Porque nunca tive um diário
Porque nunca tive dias
Para escrever num simples diário
São tantas as fotografias
Tudo de pessoas mortas
Tudo
Que são tantos os milagres de uma amoreira
Que são tantas
As muitas raízes que me aprisionam ao chão
E muita terra para palmilhar…
São tantas
Meu amor,
Que nem sei por onde começar.
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