13 novembro 2024

São tantas as estrelas Que ardem na lareira dos teus olhos

São tantas as estrelas

Que ardem na lareira dos teus olhos

São tantos os silêncios dos teus lábios

Quando me olham

E

Sonham em ser um pedacinho de mar

São tantas as ondas dos teus cabelos

Que apenas o vento

Sabe poisar,

Meu amor.


São tantas as cartas que escrevo

Que até já as palavras me odeiam

Como tu me odeias

Como quase todos

Me odeiam

São tantas as ervas do meu jardim

E são tantas as flores

Das flores tuas mãos

São tantos os sorrisos

Do teu sorriso,

Meu amor.


São tantas as noites da tua noite

Quando a minha noite é um inferno

São tantos os pássaros na cidade onde nasci

São tantos os cortinados

Na cidade onde vivo

Na cidade onde morro aos bocadinhos

Tantos meu amor,

Tantos trapos


E farrapos e janelas sem dobradiças

São tão poucas as hipóteses de eu ir a Marte

E oferecer-te a lua

São todas as flores 

Do teu corpo

Que são tão poucas

As flores do teu corpo

São tantas as portas que nos deixam entrar

E que depois não nos deixam sair,

Meu amor.


São tantas as palavras do meu diário secreto

Porque não é secreto

Porque nunca tive um diário

Porque nunca tive dias

Para escrever num simples diário

São tantas as fotografias

Tudo de pessoas mortas

Tudo

Que são tantos os milagres de uma amoreira

Que são tantas

As muitas raízes que me aprisionam ao chão

E muita terra para palmilhar…

São tantas

Meu amor,

Que nem sei por onde começar.


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