Construo abismos
Dentro de abismos. Há sempre um poema na minha vida
Vestido de abismo,
Há sempre um mendigo, abraçado ao mendigo que me abraça
Também ele, um abismo.
Já não me pertence
Este corpo que dizem ser meu,
Que não mais do que
Um abismo com duzentos e seis ossos.
Já não me pertence o céu
Porque só tenho o abismo que sou
Porque só tenho o abismo que me pertenceu.
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