02 novembro 2024

Madrugada

Se eu pudesse escolher uma arma

Não escolhia uma espingarda,

Escolheria uma espada.

Uma espada que espeta, que corta e retalha

Cada gravidez do corpo

E à voz do mendigo, não digo

Se eu pudesse escolher uma arma

Não escolhia o silêncio,

Escolhia então uma palavra; e tantas palavras as há para escrever,

Na falsidade da manhã.

Na falsidade,

De uma arma.

Se ao menos eu tivesse uma pistola, ou uma sandália

De criança. Eu não me matava.

Eu não sofria.


Se eu pudesse escolher uma arma

Não escolhia uma espingarda,

Escolheria uma espada.

Uma espada que espeta, que corta e retalha


A madrugada.


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