Loucura, procuram-se loucos. Loucura,
Sair do comboio em andamento
Acreditando,
Que o comboio está parado.
Loucura,
Amar e ser amado
Loucamente,
Por uma mulher casada.
E a loucura ainda não é nada.
Loucura,
Ler um poema de Cesariny à mulher
Com quem acabamos de fazer amor,
Loucura,
É tocar uma guitarra,
Sem o saber,
Sem nada.
E mesmo assim,
Continuamos a ser loucos.
Loucura, meu deus
Loucura,
Ter uma pistola apontada à cabeça
E o corno sem coragem para premir o gatilho,
E eu,
Sem coragem para me matar.
Loucura,
Loucura é imaginar o Esteves à porta da tabacaria, e o senhor Álvaro de Campos, à janela, a pensar
Pura metafisica, no entanto
Continua a ser louco,
Por pouco,
Um tiro nos cornos, uma dentada no dedo, e nunca se sabe
O preço a pagar por tanta mercadoria.
O senhor Álvaro de Campos diz à menina para comer,
Vejam só,
Comer chocolates; come menina, come
Come chocolates, come
Olha que não há coisa melhor na vida,
Do que,
Comer chocolates.
O que é então a loucura!
Loucura,
Loucura é o Esteves
Não perceber,
Que o senhor Álvaro de Campos o olha…
E mesmo assim,
Acende o cigarro,
E loucura seria se a janela fosse uma espada.
Ou se a espada louca,
Fosse apenas os lábios,
Só os lábios da janela.
E continua o louco,
A ser louco,
Loucura,
Encarcerado num rés-do-chão sem visitas com mais vinte malucos,
E outros tantos poetas.
O mais louco era eu, que comparando a minha loucura,
Com a dos meus companheiros,
A minha era a mais silenciada,
E mais modesta,
E a mais pura que nem uma cabra.
Loucura,
No entanto, ela começou a gostar de mim, fiz-lhe uns pequeninos versos, e em troca
Eu não queria a carne, nem a vagina, nada
Apenas queria que ela
Me colocasse mais gotinhas no leite do que o prescrito…
É que eu ficava com uma pedra,
Que às vezes voava sobre o Ferro, também ele louco mas por infidelidade da esposa,
Antes de adormecer.
Do refeitório ao quarto são meia dúzia de passos,
E eu,
Estacionava nas ilhas Canárias.
E ela levava-me à cama,
E contava-me uma história.
Um dia fiz-me criança, vagueei sobre o capim louco junto ao musseque, poucas coisas, ainda
Não são a loucura de ontem. Depois ela de sorriso na cara…
Francisco,
Deixa a droga.
Loucura,
Loucura era eu levar o Pacheco ao Mercado para bebermos um copo,
E quando eu desse conta,
Lá estava ele a masturbar-se na casa de banho.
Loucura,
Loucura é Cristo pregado de mãos e pés, acorrentado
Sem se poder,
Sequer,
Também ele,
Se masturbar.
Loucura,
É ser filho único e não ter ninguém para
Foder,
A cabeça.
Mas a pior loucura,
É ser pai por algumas semanas,
E deixar de o ser,
Pelo querer…
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