16 novembro 2024

Há sempre um poema que nos mente

Há sempre um peixe em contramão

Há sempre um peixe, em euforia

Um aquário em lágrimas

Há sempre um pintelho assustado

Na vagina

De uma lágrima,

Há sempre uma espada

Um livro que nos apaixona

Há sempre uma mulher

E um peixe 

Que nos decepciona,


Há sempre um mar

Que nos procura

Um abraço que nos abraça

Há sempre uma palavra, palavra espada

Há sempre uma noite que nos apunhala

Na noite calada

Há sempre uma vírgula, há sempre um ponto final

Finalmente,

Finalmente.


Há sempre um poema que nos mente

Sempre, infelizmente

Como tanta gente

Nos mente,

Como tanta gente

Que não sente.


Há sempre um peixe que estuda filosofia

Um peixe que durante o dia

Vai ao ginásio,

E à noite,

À noite lê poesia.


Há sempre um corpo, um corpo que vive dentro de um outro corpo,

Há sempre uma lareira em fuga, um homem apaixonado

Há sempre, por aí, um enforcado

Há sempre uma cantiga, há sempre uma palavra,

Uma palavra amiga.


Há sempre uma prisão que nos dá alegria, um peixe que desenha estrelas nos lábios do mar, há sempre um cabrão,

Um cabrão que nos quer matar.

Há sempre um cornudo na nossa aldeia, há sempre um poema,

Ou uma mulher que nos incendeia.


E finalmente…


Há sempre um gajo que vos chateia:


Eu.


Tenho Dito 


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