Há sempre um peixe em contramão
Há sempre um peixe, em euforia
Um aquário em lágrimas
Há sempre um pintelho assustado
Na vagina
De uma lágrima,
Há sempre uma espada
Um livro que nos apaixona
Há sempre uma mulher
E um peixe
Que nos decepciona,
Há sempre um mar
Que nos procura
Um abraço que nos abraça
Há sempre uma palavra, palavra espada
Há sempre uma noite que nos apunhala
Na noite calada
Há sempre uma vírgula, há sempre um ponto final
Finalmente,
Finalmente.
Há sempre um poema que nos mente
Sempre, infelizmente
Como tanta gente
Nos mente,
Como tanta gente
Que não sente.
Há sempre um peixe que estuda filosofia
Um peixe que durante o dia
Vai ao ginásio,
E à noite,
À noite lê poesia.
Há sempre um corpo, um corpo que vive dentro de um outro corpo,
Há sempre uma lareira em fuga, um homem apaixonado
Há sempre, por aí, um enforcado
Há sempre uma cantiga, há sempre uma palavra,
Uma palavra amiga.
Há sempre uma prisão que nos dá alegria, um peixe que desenha estrelas nos lábios do mar, há sempre um cabrão,
Um cabrão que nos quer matar.
Há sempre um cornudo na nossa aldeia, há sempre um poema,
Ou uma mulher que nos incendeia.
E finalmente…
Há sempre um gajo que vos chateia:
Eu.
Tenho Dito
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