26 novembro 2024

As labaredas se uma noite no inferno

As labaredas se uma noite no inferno, nas pálpebras uma pequena pétala de sorriso cidade, que fervilhando se evapora e se adormecida, sonha

Que o teu sonhar se prenda na distância do desconhecido sono,

Que seja breve essa fogueira de lábios rosados, aqui se não pertencer ao meu destino, que vá embora desta cidade. E que morrerá de saudade da Primavera de ontem à tarde...


O fogo nos aquecerá nas infinitas lápides de espuma, e a noite nossa que seduz o sombreado mar, se os barcos voltassem, se as mangueiras florissem, e se o capim ao menos fosse uma fotografia a preto-e-branco, com olhos verdes,


Mas não,

Eu e tu somos dois pássaros que voam em sentido contrário, tu em direcção a norte, eu

Eu procurando o silêncio sul de uma parede pintada de amarelo,

Ser soldado desta floresta de rochas quase inanimadas pela geada, e também ausente destes dias, de faculdades e de facilidades e outras

Felicidades, acender a fogueira e

E esperar que qualquer noite não seja preciso eu trocar a luz nua pela escuridão

Vestida. Quase em ti


As labaredas se uma noite no inferno, a primeira pessoa a acordar no timbrado barulho de uma mão quando procura o cigarro por entre os olhos, e acende-o. E eu acordo...

E dos viajantes quase nada se sabe, a não ser

Que ambos procuram um esconderijo na noite para se amarem e

Se aquecerem nas labaredas se uma noite no inferno, o teu sexo e o meu sexo, dois poemas invertidos na maré desta cidade.

E eu, e eu quase em ti! Que farei

Quando tudo arde? (poema de Sá Miranda ou título de um livro de António Lobo Antunes)


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