As labaredas se uma noite no inferno, nas pálpebras uma pequena pétala de sorriso cidade, que fervilhando se evapora e se adormecida, sonha
Que o teu sonhar se prenda na distância do desconhecido sono,
Que seja breve essa fogueira de lábios rosados, aqui se não pertencer ao meu destino, que vá embora desta cidade. E que morrerá de saudade da Primavera de ontem à tarde...
O fogo nos aquecerá nas infinitas lápides de espuma, e a noite nossa que seduz o sombreado mar, se os barcos voltassem, se as mangueiras florissem, e se o capim ao menos fosse uma fotografia a preto-e-branco, com olhos verdes,
Mas não,
Eu e tu somos dois pássaros que voam em sentido contrário, tu em direcção a norte, eu
Eu procurando o silêncio sul de uma parede pintada de amarelo,
Ser soldado desta floresta de rochas quase inanimadas pela geada, e também ausente destes dias, de faculdades e de facilidades e outras
Felicidades, acender a fogueira e
E esperar que qualquer noite não seja preciso eu trocar a luz nua pela escuridão
Vestida. Quase em ti
As labaredas se uma noite no inferno, a primeira pessoa a acordar no timbrado barulho de uma mão quando procura o cigarro por entre os olhos, e acende-o. E eu acordo...
E dos viajantes quase nada se sabe, a não ser
Que ambos procuram um esconderijo na noite para se amarem e
Se aquecerem nas labaredas se uma noite no inferno, o teu sexo e o meu sexo, dois poemas invertidos na maré desta cidade.
E eu, e eu quase em ti! Que farei
Quando tudo arde? (poema de Sá Miranda ou título de um livro de António Lobo Antunes)
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