Já nada me resta nesta
vida de viver
Os meus sonhos, eu tinha tantos
sonhos, e eram tão lindos os meus sonhos,
Morreram todos, arderam
como um simples cigarro
Na lareira de uma
biblioteca. Hoje, dia 26 de Outubro, não tenho um único sonho, um
Que eu possa escrever nas
paredes do meu quarto…
Eu tenho um sonho.
Luther King Jr. tinha um
sonho, hoje eu, não
Não tenho sonhos nem
tenho palavras nem tenho
Garras,
Já nada me resta senão sentar-me
em frente à baía de Luanda, fumar compulsivamente tudo aquilo que possa ser,
Fumado,
E esperar pelo silêncio
da morte.
Já nada me resta neste
endereço que já não sei se pertenço, se danço
Sobre a toalha da mesa. Já
nada me resta nesta vida de viver,
Mas que viver,
Mas que vida,
Quando me obrigam a estar
presente
No enterro
Dos,
Meus sonhos.
Os sonhos são como
filhos, e eu não tenho sonhos
E felizmente,
Não tenho filhos.
Já nada me resta neste
cansaço de sentir a presença do caos quando eu sei que todas as andorinhas da
anterior Primavera,
Me mentiram, já nada me
pertence a este pedaço de vida, que deixou de viver, nada
Pergunto-me de que cor
são os sonhos,
De que cor,
São as tílias da nossa
infância…
E sou absorvido por
mentiras, já nada me pertence, quando depois de a noite adormecer,
E eu abro a janela…
E não vejo nenhum sonho!
Um!
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