26 outubro 2024

Sonhos

 

Já nada me resta nesta vida de viver

Os meus sonhos, eu tinha tantos sonhos, e eram tão lindos os meus sonhos,

Morreram todos, arderam como um simples cigarro

Na lareira de uma biblioteca. Hoje, dia 26 de Outubro, não tenho um único sonho, um

Que eu possa escrever nas paredes do meu quarto…

Eu tenho um sonho.

Luther King Jr. tinha um sonho, hoje eu, não

Não tenho sonhos nem tenho palavras nem tenho

Garras,

Já nada me resta senão sentar-me em frente à baía de Luanda, fumar compulsivamente tudo aquilo que possa ser,

Fumado,

E esperar pelo silêncio da morte.

Já nada me resta neste endereço que já não sei se pertenço, se danço

Sobre a toalha da mesa. Já nada me resta nesta vida de viver,

Mas que viver,

Mas que vida,

Quando me obrigam a estar presente

No enterro

Dos,

Meus sonhos.

Os sonhos são como filhos, e eu não tenho sonhos

E felizmente,

Não tenho filhos.

 

Já nada me resta neste cansaço de sentir a presença do caos quando eu sei que todas as andorinhas da anterior Primavera,

Me mentiram, já nada me pertence a este pedaço de vida, que deixou de viver, nada

Pergunto-me de que cor são os sonhos,

De que cor,

São as tílias da nossa infância…

 

E sou absorvido por mentiras, já nada me pertence, quando depois de a noite adormecer,

E eu abro a janela…

E não vejo nenhum sonho!

Um!

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