27 outubro 2024

Noite só, antes que acorde a solidão

 

27/10/2024

 

Acordo. Reacendo a lareira, só agora percebi que a hora mudou,

A lareira, olha-me. Sou apenas eu, ela e noite.

 

 

Antes desenhava o dia nas esplanadas da vida, permanecia simplesmente ausente, erguia-me daquele sono deslizante que me transportava para o abismo,

E percebo,

Que no abismo me encontro, hoje. Aquilo que procurava naquela altura, hoje

Procuro-o.

Procuro-o por entre uma espada que há muito se cravou no meu peito, hoje

Sou um qualquer pedaço de mingua madrugada, perdido numa longínqua prata de alumínio. E assim

Serei o tempo disfarçado de nojo; meto nojo a qualquer um que se cruze comigo,

E, no entanto,

Ainda existe uma lâmina de lume que fazem dos meus olhos

Autênticos pontos de interrogação que depois da noite se cruzar com a maré,

Um navio dissidente que se perdeu na minha mão

Ergue-se como eu me ergui,

Perante a ausência do silêncio.

Talvez eu seja o último maluco deste texto, que confesso não ser eu o autor,

Porque eu

Eu não sei escrever,

Eu apenas empresto o meu corpo…

E se a prata de alumínio regressar

Que seja,

Que seja apenas uma hora antes de eu morrer.

Vou desenhar o mar na escuridão do dia. E é tão triste

Estar só.

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