21 outubro 2024

Poemas em flor

 

No cinzento mergulho som da tua voz

há poemas em flor

como madrugadas suspensas de mãos em odor

o silêncio amargo da boca em teus anseios

há pontes imaginárias

há medos inultrapassáveis

como travessias sobre os rios da saudade

de estruturas cansadas e distantes marés em sofrimento,

 

Há dias parvos e tristes e outros são-no como dentaduras em marfim

procurando os esqueletos de veludo

sobre a poeira do amanhecer

há dias como hoje sentindo-os no caos fluido até atingir o mar

como um relógio sem pulso

pertencente a um pedaço de braço derramado no xisto falso da manhã...

há seios de arrependimento poemas às palavras derretidas nas formas do silêncio

subindo e descendo paredes de Inverno até regressar a Primavera do teu olhar agreste,

 

Há fome na tua boca como silvestre framboesa com imagens de infância

uma escola perde-se na penumbra montanha com janelas de vista para o inferno

vestem-se eles com toalhas de linho

e pequenos papeis coloridos

há música no teu coração de granito

quando desço sobre ti perguntando-me onde moram as estátuas de milho

aprisionadas no canastro da aldeia

há... no cinzento mergulho som da tua voz... há, há poemas em flor...

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